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Eleições nos EUA: em noite histórica, Partido Democrata conquista controle da Câmara e do Senado; veja resultados
Pelos próximos dois anos, democratas terão maioria nas duas casas, o que causará desafios ao governo do presidente americano
O Partido Democrata conquistou na madrugada desta quarta-feira (4) a maioria das duas casas do Congresso dos Estados Unidos. O resultado configura uma derrota histórica para o presidente republicano Donald Trump em meio às eleições legislativas de meio de mandato, conhecidas como midterms, realizadas na terça-feira (3).
A legenda manteve suas cadeiras no Senado e avançou sobre vagas historicamente ocupadas por Republicanos. Os democratas elegeram 20 senadores, sendo sete de virada, e chegaram a 54 das 100 cadeiras da Casa até a última atualização desta reportagem.
Eram necessárias 51 cadeiras para alcançar a maioria.
- 📊 Até a última atualização desta reportagem, os resultados para o Senado estavam da seguinte forma:
- 🔵 Democratas: 54
- 🔴 Republicanos: 44
- Aguardando resultado: 2
Na Câmara, os democratas conseguiram "virar" 25 cadeiras que estavam sob o controle dos republicanos em distritos de mais de 10 estados.
📊 Até a última atualização desta reportagem, os resultados para a Câmara estavam da seguinte forma:
- 🔵 Democratas: 228
- 🔴 Republicanos: 139
- Aguardando resultado: 68
👉 Toda a Câmara dos Deputados americana é renovada a cada dois anos. Como existem 435 cadeiras na Casa, um partido precisa conquistar pelo menos 218 assentos para obter a maioria absoluta. No Senado, onde os democratas também obtiveram maioria, havia 35 cadeiras em disputa das 100 no total.
As eleições devem alterar drasticamente o equilíbrio de poder em Washington, já que o partido de Donald Trump perdeu o controle que tinha nas duas Casas.
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Disputa pela Câmara dos EUA — Foto: AP
🔎 Marcado em roxo no mapa acima, escoamento significa as regiões em que haverá segundo turno.
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Donald Trump em 2 de novembro de 2026 — Foto: Umit Bektas/Reuters
Após a confirmação do controle democrata sobre as duas Casas, o presidente Donald Trump afirmou, em entrevista ao jornal americano "The New York Times", estar disposto a governar com os democratas.
"Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados", afirmou.
Segundo o americano, sua gestão deve buscar acordos com integrantes do partido adversário.
"Vamos trabalhar com os democratas e esperamos colaborar com eles. Provavelmente chegaremos a algum entendimento", declarou.
Dias antes, o republicano levantou dúvidas sobre a sua reação a uma eventual derrota ao afirmar que só reconheceria os resultados se as eleições "fossem limpas".
Americanos foram às urnas para as Eleições de Meio de Mandato, as Midterms, quando são renovados todos os deputados americanos e um terço dos senadores
Presidente promete vetos
Após os primeiros resultados negativos para seu partido, Trump publicou a foto de um boné vermelho com a palavra “veto”. Dias antes, o presidente antecipou como agiria caso os democratas vencessem as eleições.
"Acho que vou me tornar o Sr. Veto", disse o presidente ao podcast "Pod Force One", do "New York Post".
"Eles vão enviar algumas coisas. Você veta. E, eventualmente, depois de um ou dois meses sendo vetados, eles só estão perdendo tempo, vêm até nós e fazemos um acordo", disse.
Democratas avançam no Senado e ganham em estados conservadores
Em uma surpreendente dupla vitória democrata em dois dos estados mais conservadores do país, James Talarico derrotou Ken Paxton no Texas, e Annie Andrews obteve uma vitória inesperada sobre Darline Graham na Carolina do Sul, colocando em xeque o controle republicano do Senado dos EUA.
Os resultados históricos representaram uma extraordinária rejeição a Trump, que havia colocado todo o seu peso político a serviço dos candidatos que acabaram derrotados nas urnas.
Trump havia apoiado Ken Paxton, procurador-geral do Texas envolvido em diversos escândalos, contra o senador John Cornyn nas primárias republicanas do Estado. Cornyn e lideranças republicanas nacionais haviam alertado que Paxton teria dificuldades em uma eleição geral, o que poderia custar dezenas de milhões de dólares ao partido e, potencialmente, o controle unificado dos republicanos sobre o poder em Washington.
Em Ohio, o democrata Sherrod Brown derrotou o senador republicano Jon Husted, marcando mais uma derrota do partido em um estado de tendência republicana.
Na Carolina do Sul, Trump apoiou Darline Graham apesar de questionamentos dentro do próprio partido sobre ela não ter experiência e conhecimento suficientes para conquistar a cadeira anteriormente ocupada pelo irmão dela, Lindsey Graham, após a morte inesperada dele.
Além disso, Trump visitou Ohio repetidas vezes para fazer campanha por Husted.
Os democratas já haviam virado uma cadeira na Carolina do Norte e mantido assentos disputados em New Hampshire e na Geórgia.
O senador democrata Jon Ossoff foi reeleito na Geórgia, derrotando o deputado Mike Collins e impedindo que os republicanos conquistassem uma cadeira que haviam considerado uma de suas principais oportunidades de avanço. O deputado Chris Pappas venceu a disputa pelo Senado em New Hampshire, derrotando o ex-senador John Sununu para substituir a senadora democrata Jeanne Shaheen, que está se aposentando.
Vários senadores democratas foram reeleitos com facilidade, entre eles Cory Booker, em Nova Jersey, Ed Markey, em Massachusetts, e John Hickenlooper, no Colorado. A democrata Juliana Stratton foi eleita para substituir o senador democrata Dick Durbin.
Como funcionam as midterms
Diferentemente do Brasil, o Congresso dos Estados Unidos é renovado parcialmente a cada dois anos. Quando ocorrem na metade do mandato presidencial, essas eleições são chamadas de midterms, ou eleições de meio de mandato.
Os deputados norte-americanos têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores têm mandatos de seis anos.
Com isso, a cada dois anos, o país renova toda a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado.
Neste ano, além das 435 cadeiras da Câmara, estão em disputa 35 das 100 cadeiras do Senado.