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PF pede a Zanin para aprofundar investigação sobre filha de ministro do STJ em esquema de venda de decisões envolvendo lobista de MT

A investigação indica que o grupo estruturou um esquema para identificar processos de interesse econômico e acionar contatos estratégicos em Brasília, com foco no STJ

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM ESTADÃO/COM ARQUIVO SA 10/10/2025
PF pede a Zanin para aprofundar investigação sobre filha de ministro do STJ em esquema de venda de decisões envolvendo lobista de MT
O pedido inclui a apuração do envolvimento de novos personagens e da filha de um ministro da Corte | Acesse Política

A Polícia Federal solicitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin autorização para aprofundar as investigações sobre um esquema de venda de decisões no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O pedido inclui a apuração do envolvimento de novos personagens e da filha de um ministro da Corte.

Zanin é relator do inquérito que trata do caso no Supremo. No relatório parcial, a PF apontou que o núcleo central do esquema criminoso é ocupado pela empresa Fource e seus sócios, Haroldo Augusto Filho e Valdoir Slapak. Segundo a corporação, Haroldo tinha “influência direta” em gabinetes do STJ e mantinha relação próxima com a advogada Catarina Buzzi, filha do ministro Marco Buzzi.

A Fource, Catarina e o ministro Marco Buzzi foram procurados, mas não responderam. Anteriormente, Catarina afirmou que nunca atuou em processos de interesse de Haroldo que tramitavam no gabinete de seu pai. O gabinete também negou qualquer favorecimento.

Além de vínculos com gabinetes, Haroldo contratava o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves e o advogado Roberto Zampieri — assassinado em dezembro de 2023 — para auxiliar nas ações ilícitas. A PF já havia identificado tentativas de aproximação de Haroldo com familiares de ministros e revelou que o escritório de Catarina funcionava em imóvel da Fource.

A investigação indica que o grupo estruturou um esquema para identificar processos de interesse econômico e acionar contatos estratégicos em Brasília, com foco no STJ, para manejar prazos, minutas e pautas processuais.

Segundo a PF, os novos elementos serão tratados em procedimentos próprios para evitar dispersão do caso e garantir a efetividade das investigações.

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