Cotidiano

FRIEZA, SANGUE E CÁLCULO: Júri dá pena máxima a irmãos pelo assassinato brutal de Raquel Cattani

Após 16 horas de julgamento, Conselho de Sentença reconhece feminicídio, motivo torpe, meio cruel e emboscada. Ex-marido foi apontado como mandante. Irmão, executor. Justiça fala alto em Nova Mutum

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM TJ-MT 23/01/2026
FRIEZA, SANGUE E CÁLCULO: Júri dá pena máxima a irmãos pelo assassinato brutal de Raquel Cattani
Depois de 16 horas de Tribunal do Júri, os sete jurados decidiram: Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde estão condenados pelo assassinato da produtora rural Raquel Maziero Cattani | TJ-MT

Passava da meia-noite desta sexta-feira (23) quando o silêncio pesado do plenário do Fórum de Nova Mutum foi quebrado pela leitura da sentença. Depois de 16 horas de Tribunal do Júri, os sete jurados decidiram: Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde estão condenados pelo assassinato da produtora rural Raquel Maziero Cattani, morta a facadas dentro da própria casa, em julho de 2024, no Assentamento Pontal do Marape.

A juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski fixou penas duríssimas, em regime fechado. Rodrigo: 33 anos, 3 meses e 20 dias, por feminicídio e furto. Romero: 30 anos, como mandante do feminicídio.

Para o Conselho de Sentença, não restou dúvida: o crime foi premeditado, praticado com frieza, com recurso que impediu a defesa da vítima e motivado por razões ligadas à condição de Raquel como mulher — feminicídio reconhecido.

Os réus saem do plenário condenados. A Justiça, segundo os jurados, foi feita.

A cena que nunca mais saiu da cabeça de quem viu

Raquel foi encontrada caída entre o quarto e o banheiro. Sozinha. Dentro da própria casa. O local que deveria ser sinônimo de paz virou cenário de horror.

Quem a encontrou foi a própria mãe.

No banco das testemunhas, Sandra Cattani reviveu o momento mais doloroso de sua vida. Contou que estranhou a ausência da filha naquela manhã. Entrou na casa. Viu Raquel caída. Pensou que ela tivesse passado mal.

Quando se aproximou, percebeu que o corpo estava gelado e rígido.

Chamou pelo nome.

Não houve resposta.

Ali, entendeu que a filha estava morta.

O plenário inteiro parou.

O que a investigação mostrou ao júri

Delegados que conduziram o caso detalharam uma investigação minuciosa, com dezenas de oitivas, provas técnicas, dados de celular, perícias e reconstrução do trajeto do executor.

A acusação sustentou que:

Rodrigo entrou na casa pela janela do quarto das crianças e ficou à espreita;

Raquel foi surpreendida dentro da própria residência;

A cena foi parcialmente forjada para parecer latrocínio;

Romero construiu cuidadosamente um álibi, circulando por bares e prostíbulos naquela noite;

Houve reaproximação suspeita entre os irmãos dias antes do crime;

O pagamento de R$ 4 mil foi apontado como parte da engrenagem do plano.

Os jurados compraram essa tese.

O interrogatório que não convenceu

Rodrigo ficou em silêncio.

Romero falou. Negou. Disse que não participou. Alegou tortura policial. Tentou sustentar uma narrativa paralela.

O Ministério Público foi direto: as provas não acompanhavam a versão do réu.

Em um dos momentos mais fortes, o promotor exibiu uma foto de Raquel sorrindo aos jurados e pediu:
“É assim que vocês precisam lembrar dela.”

“O mínimo que espero é a pena máxima”

Sandra, a mãe, resumiu o sentimento da família em uma frase que ecoou no plenário:

“O mínimo que espero é que sejam condenados e peguem a pena máxima. Isso não traz minha filha de volta, mas é justiça.”

Após a sentença, o deputado estadual Gilberto Cattani, pai de Raquel, disse que não há alívio para a dor, mas há a sensação de que a Justiça funcionou.

Um julgamento que entra para a história

O caso de Raquel não foi tratado como “mais um crime”. O plenário inteiro entendeu que se tratava de um feminicídio planejado, executado dentro de casa, com violência extrema.

O Conselho de Sentença reconheceu: Feminicídio, motivo torpe, meio cruel e ecurso que dificultou a defesa da vítima

A resposta do Júri foi clara, firme e histórica.

Raquel não virou estatística

Raquel tinha 26 anos. Era mãe. Trabalhadora. Produtora rural reconhecida. Tinha planos. Tinha rotina. Tinha vida.

E foi morta dentro da própria casa.

Na madrugada desta sexta, em Nova Mutum, os jurados deixaram um recado que ecoa para além do processo: quem transforma a casa de uma mulher em cenário de execução, encontra no Tribunal do Júri a resposta mais dura da Justiça brasileira.

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