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FIM DA LINHA PARA CHEFONA DO CV: COM 260 ANOS DE CONDENAÇÕES, “ANGELIQUINHA” VOLTA À CADEIA DE ONDE FUGIU E ENFRENTA REGIME DE RIGOR MÁXIMO

Apontada como uma das principais lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso, faccionada foi capturada na Bolívia após mais de um ano foragida; investigação revela suspeita de esquema milionário de lavagem de dinheiro

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PC-MT 20/10/2026
FIM DA LINHA PARA CHEFONA DO CV: COM 260 ANOS DE CONDENAÇÕES, “ANGELIQUINHA” VOLTA À CADEIA DE ONDE FUGIU E ENFRENTA REGIME DE RIGOR MÁXIMO
Angeliquinha estava custodiada no Estabelecimento Penal Feminino Carlos Alberto Jonas Giordano, em Corumbá, Mato Grosso do Sul | Divulgação

A fuga internacional chegou ao fim, e o destino reservou uma ironia para uma das mulheres mais temidas do submundo do crime organizado em Mato Grosso. Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, apontada pela Polícia Civil como uma das principais lideranças do Comando Vermelho (CV) no estado, retornou nesta terça-feira (20) à Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, exatamente o mesmo presídio de onde escapou em agosto de 2025.

Com condenações que ultrapassam impressionantes 260 anos de prisão, a investigada agora enfrentará um dos regimes penitenciários mais rigorosos previstos na legislação brasileira. Por determinação da 5ª Vara Criminal de Sinop, Angeliquinha deverá permanecer inicialmente por 180 dias no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), medida que impõe severas restrições à rotina carcerária e pode ser prorrogada mediante nova decisão judicial fundamentada.

O retorno à capital mato-grossense ocorreu sob forte esquema de segurança, em uma operação coordenada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), Gerência Estadual de Polinter e Capturas (Gepol), com apoio do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).

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Angeliquinha estava custodiada no Estabelecimento Penal Feminino Carlos Alberto Jonas Giordano, em Corumbá, Mato Grosso do Sul, desde que foi entregue às autoridades brasileiras após sua captura em território boliviano. Nesta terça-feira, foi oficialmente transferida para Cuiabá e entregue à administração penitenciária.

A trajetória da faccionada ganhou repercussão nacional depois de sua fuga da penitenciária feminina de Cuiabá, em 17 de agosto de 2025. Durante mais de 13 meses, ela permaneceu fora do alcance da Justiça brasileira, até ser localizada em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, em 22 de setembro deste ano, durante uma operação conjunta da Polícia Civil de Mato Grosso com autoridades bolivianas.

Dois dias depois, em 24 de setembro, Angeliquinha foi entregue à Polícia Federal brasileira, encerrando oficialmente o período em que permaneceu foragida.

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Mas o que mais chama a atenção das autoridades não é apenas a impressionante soma de suas condenações ou a fuga internacional. Segundo as investigações, existem indícios de que a faccionada teria continuado a exercer influência e funções de liderança dentro da organização criminosa mesmo enquanto permanecia escondida no exterior.

É justamente essa suspeita que fundamenta a decisão judicial de submetê-la ao Regime Disciplinar Diferenciado, considerado uma das principais ferramentas legais para restringir a atuação de lideranças criminosas a partir do sistema penitenciário.

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As investigações apontam Angeliquinha como uma das figuras de comando do crime organizado no extremo norte de Mato Grosso, especialmente na região de Alta Floresta, onde a facção mantém atuação investigada pelas autoridades. Ela também é investigada por suspeitas relacionadas ao tráfico de drogas, à lavagem de dinheiro e à coordenação de atividades criminosas.

O cerco policial contra o grupo ganhou uma dimensão ainda maior em março deste ano, quando a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown, voltada a desarticular um núcleo familiar suspeito de sustentar financeiramente atividades criminosas ligadas à investigada.

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Na ocasião, foram cumpridas 31 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão, buscas e apreensões, sequestros de veículos e imóveis, bloqueios de contas bancárias e suspensão de atividades de pessoas jurídicas.

O dado mais explosivo da investigação envolve o dinheiro. Conforme a Polícia Civil, os investigadores identificaram movimentações financeiras superiores a R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e sete meses, valores considerados incompatíveis com a renda declarada pelos envolvidos.

A suspeita é de que empresas e outros negócios tenham sido utilizados para conferir aparência de legalidade a recursos provenientes de atividades criminosas. As autoridades investigam a participação e as responsabilidades individuais dos envolvidos nesse suposto esquema.

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O caso revela a dimensão do desafio enfrentado pelas forças de segurança: combater organizações criminosas que, segundo as investigações, não se limitam ao tráfico de drogas, mas também buscam estruturas financeiras capazes de sustentar suas operações.

Agora, Angeliquinha retorna ao sistema penitenciário mato-grossense em circunstâncias muito diferentes daquelas que antecederam sua fuga.

Além das condenações acumuladas em diferentes processos criminais, ela continua vinculada a investigações que apuram a estrutura e o financiamento da organização criminosa.

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A determinação de inclusão no RDD representa uma tentativa da Justiça de reforçar o controle sobre a custodiada e reduzir os riscos apontados pelas autoridades quanto à possível continuidade de atividades criminosas.

A mulher que conseguiu escapar de uma penitenciária em Cuiabá, atravessar fronteiras e permanecer mais de um ano foragida agora está novamente atrás das grades do mesmo estabelecimento prisional — desta vez, sob um regime disciplinar especialmente rigoroso.

O retorno de Angeliquinha encerra uma fuga internacional que mobilizou forças policiais de dois países, mas não coloca ponto final nas investigações sobre a atuação da facção e o suposto esquema milionário de lavagem de dinheiro que teria sustentado suas atividades.

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